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A Megera Domada: um breve resumo sobre a obra e a personagem Catarina.


 

Por Edivânia Costa


Texto




RESUMO 

A MEGERA DOMADA

“A Megera domada” é umas das primeiras comédias escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. A obra apresenta diversas temáticas, por exemplo;o casamento por interesse, a família patriarcal, conquista do amor e a submissão da mulher na sociedade. A peça shakespeariana nos conta a história de Catarina, uma mulher bela, mas que não aceitava se submeter ao casamento e odiava ser contrariada. Era conhecida e chamada por todos como megera, gato-do-mato e até demônio. A irmã mais nova, Bianca, gentil e meiga, cortejada por muitos homens, só poderia se casar após o casamento da irmã mais velha. Mas nenhum homem de Pádua desejava casar-se com Catarina por seu comportamento feroz. Petrúquio, um homem nobre de Verona, chega à cidade em busca de um casamento rico para aumentar sua riqueza e logo se sente atraído por Catarina. Após um duro duelo de forças, ele casa-se com ela impondo à nova esposa algumas privações que acabam fazendo Catarina tornar-se uma mulher dócil e amável. No final da obra nos deparamos com o longo sermão de Catarina, onde ela declara toda a gratidão que a esposa tem que ter pelo esposo por ele submeter sua vida ao árduo trabalho para sustentá-la, declarando que o homem é seu chefe. Com isso fica visível o papel da mulher na sociedade da época; uma mulher submissa e o papel do homem como autoritário. Assim a peça segue como uma reflexão do autor ser a frente de seu tempo ou crítica a sociedade em questão. 

“[...] ah, como fazem de boba uma mulher, se ela não tem coragem para resistir!”

(SHAKESPEARE, 1596)


INTRODUÇÃO

Ao analisamos qualquer peça é necessário se aprofundar em seu contexto histórico para de fator

entender as motivações da obra, para qual finalidade foi escrita. Nas obras de Shakespeare se caracteríza

o período Renascentista. A obra Megera Domada especificamente, Shakespeare evidencia o que a

mulher era exposta, submetida a fazer, o comportamento da sociedade para a mulher e para o homem.

A obra pode ter várias interpretações diferentes. Shakespeare poderia simplesmente ter sido influenciado

pelo período em que vivia e teria relatado os fatos de maneira cômica. Outra suposição é que o autor

escreveu a peça justamente para ridicularizar o machismo e a submissão feminina.

A maioria das críticas sobre a obra A Megera Domada de William Shakespeare, uma delas seria o

julgamento da obra como um retrato do machismo da era renascentista. Porém, a obra em questão é

uma comédia com a presença de muitas ambiguidades, ironias e sarcasmos; características muito

específicas do autor e que podem sugerir uma conotação diferente à obra. Shakespeare tinha uma

admiração muito grande pela Rainha Elizabeth I que foi um símbolo muito forte do poder feminino

em uma época em que as mulheres não tinham espaço. Ao analisamos essa peça poderíamos interpretar

da seguinte forma,  de que Shakespeare admirava Elizabeth, poderíamos dizer que de fato Shakespeare

coloca Elizabeth como Catarina, uma mulher fora de seu tempo. Catarina é a principal personagem da trama e sua força está sempre presente em sua fala,

sua insatisfação com o meio onde vive. Vale questionar, de fato  Catarina teria sido realmente domada

por Petrúquio ou ela usou isto a seu favor para não sofrer com a sociedade patriarcal. 

Será que a  obra é meramente  um retrato da época Renascentista, uma obra machista ou ela vai além,

a frente de seu tempo, e critica os padrões exigidos na época pela sociedade.

A Rainha Elizabeth I foi a primeira mulher independente e bem sucedida no reino da política

masculina, a maior monarca da Grã Bretanha. Embora muitos pensadores patriarcais criticassem

a mulher no poder, na qual, nenhuma mulher poderia exercer o poder com inteligência ou eficácia,

porém Elizabeth se mostrou magnifica  e mudou para sempre a ideia mundial da capacidade

da mulher. (Gelb, 2002) Shakespeare demonstra sua admiração por ela na seguinte declaração:

“Elizabeth... deve ser amada e temida. Os seus devem abençoá-la: seus inimigos tremem como

um campo de cereais açoitados pelo vento e abaixam a cabeça com pesar. O bem cresce com ela.

Nos seus dias, todo homem comerá em segurança sob suas próprias videiras o que ele planta e

cantará canções alegres de paz a todos os seus vizinhos.” (Shakespeare, apud Gelb, 2002) Assim,

observa-se que a admiração de Shakespeare pela Rainha Elizabeth I vinha pelo poder e autoridade

que ela exercia, e com isso a personagem Catarina pode ter sido inspirada nas conquistas e na

personalidade da Rainha. A megera de Shakespeare tem a personalidade muito forte e a língua afiada,

que demonstra força perante uma sociedade marcada pelo machismo.


CATARINA 


O papel das mulheres era estabelecido pelo Clero e pela aristocracia, os grandes detentores de poder no período medieval. As mulheres eram designadas como as responsáveis pela criação dos filhos e pelas tarefas domésticas, proibidas de exercer qualquer outra tarefa, muitas das vezes submetida a violência física e psicológica, e forçadas a se casarem contra sua vontade, simplesmente para enriquecer o patrimônio de sua família. Ainda faltava muito para que a mulher pudesse ter liberdade para conduzir a própria vida devido ao peso da tradição, algo que foi retratado na peça de William Shakespeare, A Megera Domada, que se passa justamente durante o período do Renascimento.


A Megera Domada foi a primeira comédia escrita pelo dramaturgo inglês William Shakespeare. Desenvolvida originalmente como peça teatral, a obra ganhou bastante notoriedade em 1623 e foi publicada pela primeira vez no formato de livro, se tornando um dos maiores clássicos da literatura mundial, ganhando enuneras adaptações filmica, novelas etc. 

Na peça teatral uma personagem nos chama atenção, seu nome Catarina, tal personagem é  desenvolvida

na tram por ser contra os costumes da época, e ser forte em suas escolhas, porém, por ser diferente e

não se submeter a sociedade da época era críticada constantemente, ofendida verbalmente por seus

pretendentes de sua irmã sendo chamada pelos adjetivos: “grosseira” (p. 29), “diabo” (p. 29),

“louca varrida” (p. 29), “assombrosa insolência” (p. 29), “demônio infernal” (p. 30), “a mulher do diabo

” (p. 31),

“o próprio inferno” (p. 32), “ruim” (p. 34) e “infernal” (p. 34). Suas atitudes e palavras também são

comparadas pelos personagens à “tempestade” (p. 34) e “estrondo” (p. 34). Tais adjetivos dados à mulher se

devem-se ao seu comportamento, que era considerado inapropriado para uma mulher do século XVI, que

deveria ser delicada e quieta, algo que a jovem não expressava ser.

Catarina se mantia forte em suas escolhas, independentemente do julgamento alheio, não aceitava

ser manipulada por uma sociedade como aquela, seus questionamentos  eram constantes, questiona

seu pai o deseja transformar em “um brinquedo desses pretendentes” (p. 29). Suas indagações eram

questionadas, porém se mantinha relutante a tais pessoas, que queriam encaixar na sociedade a todo

custo.

Catarina fala: “Como se alguém pudesse me dizer o que devo fazer. Como se eu não soubesse o que devo pegar e o que devo largar” (SHAKESPEARE, 2017, p.31).

Na fala de Grêmio, podemos notar que Catarina era vista como algo totalmente ruim, comparando

com as piores coisas existentes, por ser uma mulher que não segue a sociedade patriarcal, diz Grêmio

chega a afirmar que “... aceitaria o dote, mas em vez de suportá-la preferia ser açoitado todo dia em

praça pública” (SHAKESPEARE, 2017, p.32), mostrando que nem mesmo uma grande quantia

conseguiria convencê-lo a passar o resto de seus dias com uma mulher como Catarina.

O comportamento da mais velha é visto como algo tão inaceitável que Hortênsio afirma que

não haverá pretendentes para a menina enquanto ela não se tornar mais suave e gentil. A afirmação do

personagem só reforça a imagem de que as mulheres neste período deveriam ser submissas e obedientes

aos homens em geral, algo que era visto em Bianca, em contraponto a Catarina.

Bianca é denominada como “donzela cheia de recanto” (p. 29), “gentil” (p. 29), “Minerva” (p. 30) e

“sagrada” (p. 34). As atitudes submissas da menina irritam sua irmã mais velha, fazendo com que está

a chame ironicamente de “bonequinha”, afirmando que “é só enfiar-lhe um dedo no olho e deixará de

ser tão delicada” (SHAKESPEARE, 2017, p.30)

Seu discurso ainda é reforçado pelo criado Grumio que diz que “nada disso lhe importa, se vier com

dinheiro” (SHAKESPEARE, 2017, p. 40). O casamento para Petrúquio não se baseava em uma união

por amor, mas sim em uma forma de enriquecer ainda mais, como era o caso de muitos casamentos

arranjados no século XVI. Tendo em vista essas intenções, Petrúquio se interessa em casar-se com

Catarina e ainda diz para Hortênsio que a dominará a qualquer custo. O homem vindo de Verona é

visto como bruto e um tanto quanto grosseiro. Para ele de nada valem os insultos, e afirma que não

se deixa intimidar por mulher alguma. Seu criado ainda cita que caso a esposa lhe desrespeite, seu

amo a agredirá (p.41). A violência doméstica era algo muito comum durante a Idade Moderna, e era

vista como uma forma de os homens imporem respeito sobre as mulheres e como uma forma de fazer

com que elas os temessem e obedecessem (BATISTA, 2014)

Ao analisarmos a incidência dos insultos mencionados, é possível observar que Catarina é comparada constantemente ao demônio, mostrando que os demais personagens consideram seu comportamento tão ruim e reprovável que até enxergam semelhanças da criatura com a personagem. Também é comparada com animais e com atitudes que remetem à selvageria, reforçando que seus atos são vistos como irracionais e de difícil controle, como um animal selvagem. Porém, o adjetivo que mais aparece para se referir a Catarina é “megera”, usado 11 vezes na obra, contando com o próprio título. A repetição do termo serve para reforçar a ideia que os personagens têm de que Catarina é má e perversa por conta da maneira como se porta com os demais.

De acordo com Nye (1995), que escreveu o livro Teoria Feminista e as Filosofias do Homem, para o liberal Jhon Studart Mill, o sexismo é o resultado da ignorância sem igual do homem em harmonia com a fragilidade física da mulher. Engels (1984) acreditava que o sexismo não era universal, ou seja, essa ideia geral não era aplicável a todos os indivíduos, pois na época em que a herança era através da mãe e o trabalho das mulheres tinha valor 3 igualitários ao dos homens, a terra era dominada por todos e as mulheres eram “livres e honoráveis” (NYE, 1995, p. 56).

Segundo Bonicci (2007), o sexismo e o patriarcalismo são praticamente sinônimos, ou seja, na realidade

são tão semelhantes que podemos escolher um pelo outro sem alterar a significação literal, pois a

ideologia de significados é a mesma; a superioridade do masculino com a perda do moral feminino

ou a implicação automática do feminino no masculino.

A personagem de Catarina, de A megera domada (1591) de William Shakespeare, analisando a questão da mulher como ameaça à ordem patriarcal e seu consequente processo de domesticação, tanto perante a sociedade,  quanto ao relacionamento abusivo entre Catarina e Petrúquio. A constante violência tanto pela família quanto pelo Petrúquio, a personagem sofre, a fim de que ela se torne o ideal de mulher,

casta, obediente e silenciosa. Para ter determinado objetivo, Petrúquio adestra. Podemos ver Catarina como alguém que realmente se converteu em objeto de domesticação, domada pela força e manipulação, ou será que aprendeu a sobreviver dentro das regras do patriarcalismo, com a sua inteligência e ironia.

O conceito de “megera” é uma questão importante na análise dessa peça e da personagem principal. É necessário esclarecer, primeiramente, que em português esse termo não tem a mesma conotação de shrew, e que uma melhor tradução para essa palavra seria “falastrona”, não havendo aí nenhum sentido de “maldade”. Segundo Anna Kamaralli, o arquétipo da “megera” refere-se a “mulheres que continuam a expressar a sua verdade sobre o mundo, não importando os meios que os outros empregam para silenciá-las” (Kamaralli: 2012, p. 1)42. Na Idade Média, as/os shrews – que poderiam ser tanto homens quanto mulheres – eram pessoas de comportamento indisciplinável, incapazes de governar a si mesmas enquanto corpos domésticos nas esferas sociais e espirituais (Cf. Crocker: 2010).



Referência: https://youtu.be/Q44J-zMAAZQ?si=Uxl2li-Uubjkob0E


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